My Blog – Anderson

"Se não existe demanda, crie a demanda!"

Quando os robôs deixam a ficção e entram na rotina

Durante muitos anos, falar em robôs humanoides era praticamente falar de filmes de ficção científica. As máquinas apareciam nas telas com inteligência quase humana, realizando tarefas complexas e convivendo com pessoas. Hoje, porém, essa realidade começa a sair dos roteiros de cinema para ocupar fábricas, centros de distribuição, hospitais e diversos ambientes de trabalho.

Tenho acompanhado essa evolução com grande interesse a mais de 25 anos e acredito que estamos vivendo um dos momentos mais importantes da história da tecnologia. A chamada automação física, impulsionada pela inteligência artificial, representa uma mudança comparável à chegada da internet ou dos smartphones. A diferença é que agora a transformação deixa de acontecer apenas no mundo digital e passa a influenciar diretamente o ambiente físico.

Os novos robôs humanoides conseguem caminhar, transportar objetos, utilizar ferramentas e executar atividades repetitivas com precisão cada vez maior. O objetivo não é substituir completamente o ser humano, mas assumir tarefas que apresentam riscos, exigem esforço físico intenso ou demandam repetição constante. Isso permite que as pessoas concentrem seu tempo em atividades que exigem criatividade, tomada de decisão e relacionamento.

Naturalmente, essa mudança desperta preocupações. A pergunta mais comum é: “Os robôs vão tirar empregos?” Na minha visão, a resposta é mais complexa do que um simples sim ou não. A história mostra que toda revolução tecnológica elimina determinadas funções, mas também cria novas profissões. Já vemos crescer a demanda por especialistas em programação, manutenção, integração de sistemas, análise de dados e inteligência artificial. O desafio está em preparar profissionais para essa nova realidade.

Outro aspecto que considero fundamental é o acesso à tecnologia. Não podemos imaginar que apenas grandes empresas serão beneficiadas. O custo da robótica tende a diminuir ao longo dos próximos anos, permitindo que pequenas e médias empresas também automatizem processos, aumentem sua produtividade e se tornem mais competitivas.

No Brasil, essa transformação ainda acontece de forma gradual, mas já existem iniciativas promissoras na indústria, no agronegócio, na logística e até na área da saúde. Acredito que os próximos anos serão decisivos para definir quais empresas estarão preparadas para competir em um mercado cada vez mais automatizado.

Mais do que investir em máquinas, será necessário investir em pessoas. A tecnologia evolui rapidamente, mas continua dependendo de profissionais capazes de compreender problemas, criar soluções e utilizar essas ferramentas de forma ética e responsável.

Sempre digo que não devemos enxergar os robôs como concorrentes, mas como instrumentos capazes de ampliar a capacidade humana. Afinal, cada grande avanço tecnológico da história encontrou resistência no início, mas acabou transformando positivamente a maneira como vivemos e trabalhamos.

A robótica humanoide já não pertence ao futuro distante. Ela começa a fazer parte do nosso presente. E, como em toda revolução tecnológica, a maior oportunidade estará nas mãos daqueles que escolherem aprender, adaptar-se e liderar essa transformação, em vez de apenas observá-la acontecer.

Publicado na Coluna Jornal Lógica – Julho 2026